Enriquecimento ambiental para cães: o que é e como fazer?

Muitos já ouviram falar sobre o enriquecimento ambiental para cães. Mas você sabe o que a técnica significa na prática e como aplicá-la no dia a dia?

Garantir uma alimentação balanceada ao cachorro, levá-lo para consultas regulares com o médico-veterinário e dar ao pet muito carinho são cuidados importantes para aumentar a qualidade de vida do amigo de quatro patas. Porém, a fim de assegurar o bem-estar físico e emocional cotidianamente, é fundamental que elas sejam acompanhadas de estraté gias para estimular comportamentos naturais da espécie.

Introduzido no Brasil principalmente a partir dos anos 90, o enriquecimento ambiental visa dar ao cão oportunidades de escolha para exercer comportamentos naturais frequentemente indesejados do ponto de vista dos tutores, tais como farejar, perseguir, latir, roer, cavar, etc. Mas realizados de maneira focada, evitando desgastes para o pet e para a família.

Entenda a importância do enriquecimento ambiental

O conceito de enriquecimento ambiental tenta ir na contramão de uma das tendências mais fortes na maneira de lidar com os pets: a antropomorfização. Em outras palavras, enriquecer o ambiente significa, antes de mais nada, reconhecer que os cães (e outras espécies) têm necessidades diferentes das nossas, que devem ser atendidas.

Como exemplo de uma postura que humaniza e pode ser prejudicial aos pets, é muito comum supor que o cachorro é feliz por não precisar fazer qualquer tipo de esforço. Na verdade, a falta de desafios e de oportunidades de escolha para expressar comportamentos naturais é extremamente frustrante para os cachorros, favorecendo problemas psicológicos que, por sua vez, podem afetar a saúde física. Além de prejudicar o convívio com a família, visto que pets ansiosos ou estressados tendem a vocalizar mais, apresentar comportamento destrutivo e podem vir até mesmo a se automutilarem.

Vale destacar por outro lado que a humanização também tem seus aspectos positivos. Nesse sentido, o fato de encararmos os pets mais como membros da família e menos como animais de estimação vem desencadeando um desenvolvimento do mercado pet como um todo, com avanços inclusive na medicina-veterinária.

O segredo é amar o pet como um filho, mas tratá-lo como a espécie fascinante que é.

Enriquecendo o ambiente na prática

Ao contrário de atividades específicas, como sessões de adestramento, o enriquecimento ambiental respeita toda a vivência do cachorro em ambiente restrito, envolvendo desde a maneira como oferecemos os alimentos até as brincadeiras.

Para os cachorros, os brinquedos interativos são uma das principais ferramentas à nossa disposição, a fim de estimular comportamentos naturais da espécie, principalmente aqueles ligados à sequência comportamental de caça.

Antes de adquiri-los, é importante saber qual é a função de cada um, buscando compreender quais são os comportamentos naturais e os sentidos que eles estimulam: é para farejar e perseguir o alimento?, serve para roer e distrair o pet? Tais questionamentos nos ajudam a traçar uma estraté gia que estimule diferentes comportamentos ao longo da semana e evita o

uso inadequado de recursos. Por exemplo, quando um brinquedo de perseguir acaba se tornando mais um entre muitos objetos de roer.

é vá lido frisar que quando o assunto é enriquecimento ambiental, a expressão “oportunidade de escolha” é fundamental. Ou seja, não é recomendado forçar o pet a interagir com determinado recurso. O ideal é ter muitos recursos disponíveis, permitindo que o cachorro escolha com qual quer interagir naquele momento.

Agradecimentos: Colaboraram para a produção da matéria Dalton Ishikawa, médico-veterinário comportamentalista e fundador da Pet Games e Juliana Damasceno, doutora em Psicobiologia e fundadora da WellFelis Bem-Estar e Comportamento Felino.

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